Reflexões Pessoais

Seja bem-vindo ao “Daquiprala.com”!

Como primeiro post, pensei em diversas maneiras de iniciar e não encontrei nenhuma melhor do que a sinceridade, que encurta e sempre encurtará os caminhos.

Este blog tem como objetivo relatar um pouco das minhas experiências ao longo de um projeto de Voluntariado Internacional do Instituto Marista do qual farei parte a partir deste mês. Passarei por muitos lugares, conhecerei muitas pessoas, cruzarei com muitas culturas e terei o imenso prazer de dividir um pouco das minhas vivências e sentimentos aqui. O “Daquipralá.com” nasce buscando ser um canal de ligação entre o mundo vivido por um jovem voluntário brasileiro de 25 anos e o mundo das pessoas que lerem seus textos, e vice versa, como brinca o próprio trocadilho do nome. Daqui, do meu mundo, pra lá, para o mundo dos leitores. Daqui, do mundo dos leitores, pra lá, para o mundo novo por mim desbravado.

Essa viagem começou, de fato, no dia 11.12.13, simbolicamente numa incomum sequência numérica crescente do calendário em que os algarismos se sucedem, aumentando sua quantidade. Ao desembarcar na estação de ônibus-tubo Guadalupe, em Curitiba, que curiosamente leva o nome da padroeira da América, senti o mundo aos meus pés, o destino à minha frente ansiando por ser traçado e o medo de “pular” no escuro. Assim como aquela data, tudo parecia naquele momento andar pra frente, seguir adiante. Foi naquele momento que percebi que a viagem havia começado, embora sua preparação já houvesse me tomado algumas semanas.

O convite para essa experiência de voluntariado partiu do coração de um sábio Irmão Marista, Irmão Joao Batista. Um longo caminho trilhou-se até o veredicto: era convidado para assumir minha missão junto àqueles que mais precisam no Sri Lanka.

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““Siri” o que?!”, perguntei eu, com voz trêmula e coração ofegante. Eu mal sabia onde ficava esse lugar ao qual era convidado a residir e trabalhar. Daquele momento em diante, pude experimentar diversos sentimentos: euforia, medo, completude, saudade, angustia, tristeza, alegria. Um verdadeiro carrossel de sentimentos nunca antes por mim vivenciado (obs: sempre procurei ser o rapaz mais emocionalmente equilibrado, tendo tudo “sob controle”).

Ao passar das semanas, conforme era noticiado àqueles que me rodeavam (pais, namorada, amigos, familiares), tantos quantos foram os meus sentimentos, também eram as emoções neles despertadas. Alguns mais curiosos, outros incrédulos; uns chorosos, outros sorridentes. No entanto, algo era comum: por trás de todas as reações pude sentir o carinho que cada um nutria por mim e os votos de que, qualquer que fosse o caminho que eu tomasse, estariam ao meu lado torcendo pela minha felicidade.

A dificuldade da tomada de uma decisão é sempre um dos momentos mais categóricos na vida de qualquer homem, quem dirá de um rapaz de 25 anos recheado de sonhos, projetos e desejos. Para “ganhar” o futuro (ou quem sabe apenas um bom punhado de experiências positivas e/ou negativas), naquele momento era necessário abrir mão de outro punhado. Acredito que podemos ser definidos como pessoas que respiram, se alimentam e fazem escolhas. Essas são três condições essenciais da existência. Cotidianamente desenvolvemos nossa capacidade humana de “escolher”: escolhemos acordar quando o relógio desperta ou nos atrasar; escolhemos qual rádio ouviremos até o trabalho; escolhemos quais comidas vamos colocar no prato; escolhemos qual programa vamos assistir na tv; qual livro vamos ler; qual camiseta vamos usar; qual faculdade vamos cursar; escolhemos qual perna vamos iniciar a passada; qual lado da boca vamos escovar primeiro… Escolhemos… Escolhemos… Escolhemos.

Apenas não escolhemos escolher ou não. Isso ainda é inevitável (até porque escolher “não escolher” já é uma escolha um tanto quanto redundante e volátil).

Após um breve devaneio filosófico, voltemos ao real objetivo desse texto. Seria inútil tentar resumir em uma única palavra, sentimento ou pessoa, o que me levou à escolha de abandonar minha terra, minha cultura, minha “zona de conforto”, o que me fez ter coragem (apesar do medo constante e crescente tanto quanto se aproxima a data da partida) e ir, sem medo, para servir. Fiz essa escolha e, consequentemente, optei pelos desapegos inerentes a ela, pelo desejo de me sentir útil, mais além do que já fui e sou. Pode ser pela vontade de trabalhar para algo grande. Pode ser pelo desejo incessante de conhecer outras culturas e realidades. Pode, sim, com toda certeza, e é tudo isso. Mas nada disso é maior do que o chamado que sinto Deus fazer ao meu coração.

Assim como Pedro conseguiu um feito impossível aos humanos ao caminhar sobre as águas e, logo em seguida, cego por sua própria incredulidade, veio a afundar, Deus me convida a um salto no escuro, um arremesso ao desconhecido. O que esperar? Como vai ser? Será que vou me adaptar? Na minha preparação para essa viagem essas foram perguntas que, apesar de corriqueiras em meus pensamentos, não consegui nem chegar perto de suas respostas. A única coisa que tenho certeza é que Deus estará comigo onde quer que eu esteja e fazendo com que, se for necessário, eu ande sobre as águas.

Sendo assim, seja bem-vindo ao meu mundo, ao “Daqui pra Lá” (ou Daí Pra Cá, como preferir). Te convido a embarcar comigo nessa nova experiência. Aos poucos, o escuro do desconhecido vai ganhar luz, forma e cor. Um pouco do colorido que virá, com um pouco das cores novas que eu vou levar, pintadas com a minha cultura, minha pessoa, meus olhares. Vamos juntos, pois o melhor das viagens sempre são as histórias para contar!

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7 thoughts on “Seja bem-vindo ao “Daquiprala.com”!”

  1. Boa sorte meu irmão, tenho certeza que vai cumprir com louvor sua missão nesse país chamado “Siri” oquê?

    Um beijão

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  2. Se eu morresse agora, morreria feliz… pude contribuir um pouco para sua educação e ler seu texto recheado de emoção me faz mais feliz ainda… já sinto saudades, mas o homem que ajudei a criar precisa voar… voa meu filho, voa… seu pai tá aqui para esperar o seu retorno, se Deus assim quiser… te amo… voa… voa… voa…
    Pai…

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  3. Sem palavras, para expressar o quão impressionado estou com este texto!
    Enfim, quero deixar aqui meu sentimento de alegria, em poder visualizar em você meu amigo Gabriel, a vontade e o desejo de viver uma experiencia unica e tão enérgica em sua vida.
    Com certeza estaremos do lado de “cá”, acompanhando seus caminhos, e aguardando seu retorno, cheio de historias para contar.
    Grande Abraços. e que Deus te acompanhe.

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