Reflexões Pessoais

Narcisimo às avessas

Dizem que muitas vezes, para compreender melhor uma obra de arte e quais foram as intencionalidades do artista em ter escolhido esta ou aquela cor, em ter pintado desta ou daquela forma, com este ou aquele pincel, é necessário afastar, é necessário recuar, é necessário dar dois ou três passos atrás para se enxergar com maior clareza. É exatamente assim como me sinto fora do Brasil. Sinto que consigo sair de mim mesmo, da minha posição de “brasileiro cidadão”, e enxergar meu país com uma visão mais ampla, que apenas a experiência internacional me poderia proporcional.

Em tempos de Copa do Mundo, de bochechas pintadas de verde e amarelo, parece que o Brasil se inflama. Tudo fica mais intenso, assim como o amarelo da camisa de nossa seleção que, de 4 em 4 anos, brilha nos altares futebolísticos. Estamos acostumados a, pelo menos no futebol, encher os pulmões e dizer: Sou Brasileiro. Ao menos nisso nos temos a certeza que somos os melhores do mundo e olhamos os demais (e até outros “grandes” do velho mundo) de cima pra baixo. Só nós temos cinco taças no armário (por mais que uma tenha sido roubada); só nós temos gerações após gerações de craques que parecem que, ao aprenderem uns com os outros, se superam.

A cada quatro anos vestimos nossa armadura de “superpotência” e torcemos por nosso país, apesar de reclamar diariamente das operadores que nunca funcionam, dos atrasos nos aeroportos, dos ônibus lotados, dos políticos, do trânsito e do preço dos tomates. Nos cegamos das injustiças presentes em nosso país e nos tornamos um. Congelados durante 90 minutos, chutamos pra escanteio o descontentamento com a nossa desigual realidade e nos fazemos únicos, capazes de gritar, cantar e chorar pela nossa pátria, por mais que sejam muitos diferentes “Brasis” dentro do mesmo território.

Contudo, algo esta diferente dessa vez.

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De fora do país tenho a impressão que aquele brilho no olhar típico de período de copa, aquele arrepio minutos antes das partidas, aquela ansiedade pelo apito inicial está abafada por uma estranha sensação de vergonha misturada com impotência. Desta vez parece que não nos sentimos completos.

Estamos acostumados a olhar para a copa do mundo como algo exterior a gente mesmo. Há 64 anos não sediamos este grande evento esportivo (e neste período alcançamos incontestável hegemonia no futebol) e as gerações atuais não sabem o que é torcer pela própria seleção dentro de casa; não sabem o que é olhar para o quintal e pensar: “a copa é logo ali”. É difícil muitas vezes olhar pra gente mesmo. Podemos não gostar do que encontramos no espelho. Nós, Brasileiros, adoramos a finta; deliramos com o adversário superado; nos maravilhamos com o drible. Mas tudo isso desde que não sejamos nós mesmos os “bobos” que ficaram para trás. Vejo, contudo, que o que tem ocorrido no Brasil é uma forma de narcisismo às avessas que nos causa estranheza.

Corrijam-me se estiver errado, mas de fora do país percebo que existem dois tipos de brasileiros: um grupo no qual encontramos aqueles que enxergam tudo como um grande erro, acham que o país não deveria receber a copa e, se possível, a cancelariam (vide a quantidade de #naovaitercopa rodando pelas redes sociais), e um outro grupo que tenta desviar-se do barulho criado pelo primeiro e se ocupa com a troca de figurinhas e a disputa entre qual música-tema é menos pior.

O primeiro grupo apresenta um latente e prejudicial desconhecimento do próprio país, culpando o governo federal por tudo de ruim que tem acontecido no Brasil, sem a menor noção das diferenças administrativas e de competência entre os entes públicos. O metrô em Curitiba está atrasado? Culpa do Presidente. A obra de duplicação da rodovia estadual em Pernambuco está superfaturada? Culpa do Presidente. Faltou energia no aeroporto no Rio de Janeiro? Culpa do presidente (e ai eu me questiono se seria possível este único cargo acumular tanta onipotência e onisciência assim? Isso parece algo meio ditatorial e, desde que me lembro, quando sai do país há 4 meses, vivíamos numa democracia). O segundo grupo, por sua vez, até se indigna, mas tem preguiça porque é mais legal tentar encontrar alguém que tenha um brilhante da Bósnia disponível para ser trocado por um Cristiano Ronaldo.

E no meio desses dois grupos encontro a mídia brasileira, que insiste em apenas falar mal e criar uma imagem deteriorada do que realmente é nosso país. Estou fora do Brasil e as poucas notícias que chegam aqui, como em outros lugares, não evidenciam ao mundo um quadro positivo do que nosso país é de verdade.

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Reconhecido por um garotinho no Sri Lanka, que me perguntou se eu era o “Neymar”! (mal sabe ele que jogo muito melhor que esse tal de Neymar. Puffff…)

E a culpa disso tudo é nossa. Percebo que nós, Brasileiros, temos uma estranha mania de falar mal de nosso país, como quem cospe pra cima. Sentimos um estranho prazer em dizer: “êêê Brasil, aqui é assim mesmo, esse país nunca vai pra frente”. Repúblicano ou Democrata, concordando ou não com as políticas do governo, qualquer Estadunidense está sempre preparado para defender o próprio país e não se felicita com críticas feitas à sua pátria, ainda mais quando baseadas em “meias-verdades”. Conosco é diferente. Somos os primeiros a falar mal da gente mesmo. Sofremos de uma “pequenez aguda”. Nos achamos no direito de macular a nós mesmo e de nos diminuir frente a qualquer coisa que venha de fora, esquecendo-nos de nossas potencialidades.

No futebol, até então, a situação era outra. Sempre fomos os maiorais, admirados e copiados. Até então… Acho que isso é que causa os sentimentos acima mencionados.

Neste meu quarto de século aprendi que “temperança” é uma boa forma de viver e que o equilíbrio faz do ser humano mais virtuoso. Discordo de comentários infelizes como “Não se faz copa com hospitais”, mas também não enveredo pelas tortuosas e escuras esquinas “blackblockeiras” de negativismo exagerado a cerca de nossa situação. Eu, entusiasta por natureza, morando atualmente na Ásia, falo de fora do Brasil e exponho minha opinião a cerca deste grande evento que começa amanhã e sobre o nosso país: eu tenho orgulho de ser Brasileiro e ao contrário de muitos, não sinto vergonha alguma de assim o sê-lo e este orgulho não é oriundo apenas das 5 estrelas que carrego no peito e dos dribles desconcertantes dos nossos “camisa 10”.

Tenho orgulho de dizer que venho de um país que conseguiu tirar 36 milhões de pessoas do que Gandhi chamou de “pior forma de violência”, a pobreza e a miséria. Não se ensina ninguém a pescar sendo que o pescador mal consegue ficar em pé de tanta fome e muito embora não tenha me beneficiado diretamente de qualquer programa de transferência de renda, digo que vivo num país mais justo (porém longe do ideal) que meus pais viveram com a minha idade, e tenho a consciência de que tais políticas são as responsáveis por esta mudança.

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Tenho orgulho de dizer que moro em um país onde existe um sistema público de saúde para o povo. Fique doente nos Estados Unidos e se prepare para vender sua alma. Por aqueles lados, saúde é estritamente privada e o presidente Obama tem tentado, sem muitas vitórias, construir um modelo muito parecido (pasmem vocês!) com o nosso SUS. Sei que estamos longe de ter um padrão de saúde Francês ou Cubano. Contudo, apesar das muitas falhas e limitações, ele existe. Sinto alegria em dizer que temos vacinas gratuitamente para todos e que conseguimos erradicar algumas doenças que ainda matam milhões mundo a fora. Aliás, apenas a título de curiosidade, existem países aqui perto (Paquistão, por exemplo) onde as mulheres são proibidas por radicais religiosos de vacinarem seus filhos e médicos da Organização Mundial de Saúde e outros demais institutos não tem permissão para trabalhar.

Tenho orgulho de dizer que em meu país mulheres podem votar e ser eleitas, podem ir para a escola e não sofrem o risco de serem estupradas coletivamente em qualquer ônibus; que gays podem expressar sua liberdade de gênero sem ser criminalizados (aqui no Sri Lanka homossexualismo é crime punido com cadeia) e que a própria liberdade, seja ela qual for (religiosa, ir e vir, comunicação) é um valor constitucional intocável; que crianças tem uma lei que as protege de qualquer abuso e que estamos tentando coibi-los; que em meus país temos tantas opções culturais a cada região visitada que difícil é definir o que é tipicamente “Brasileiro”; que meu país figura entre as 10 economias mais fortes de mundo e, guardados os devidos desarranjos sociais e desigualdades, estamos aprendendo com nossos erros e buscando novos caminhos (muitos se assustam quando digo que venho de um país com quase 200 milhões de pessoas e que nossa taxa de desemprego beira os 5%, considerado pelos economistas como pleno emprego); que em meu país passamos da posição de devedor do FMI, que impunha duras políticas econômicas em troca de seu dinheiro, para credor; que em meu país o congresso puni os próprios membros (algo inimaginável na Inglaterra, por exemplo) e existem inúmeros instrumento de controle social da administração pública disponíveis para todos os cidadãos: sei que tenho o ministério público a quem recorrer, sei que posso exigir, enquanto cidadão, as contas de qualquer repartição publica, sei que tenho acesso à portais de transparência; me orgulho em dizer que em meu país podemos confiar nas eleições e temos urnas eletrônicas 100% seguras que fornecem com lisura e rapidez seu resultado.

Que fique claro que não é, nem de perto, o país dos meus sonhos e temos um extenso e longo caminho pela frente (enfatizo o “longo” porque muito bem combina com a grandeza de meus sonhos para minha pátria). Contudo, é um país que me permite sonhar (e acreditem, em muitos lugares é muito difícil para as pessoas olharem para o futuro e enxergarem qualquer luz no fim do túnel) e quanto antes começarmos, melhor para todos. Um bom começo seria parando de apenas denegrir a gente mesmo.

Tenho a consciência de que ainda há muito por se indignar no Brasil. Não tenho orgulho do atraso nas obras, filho do nosso erroneamente idolatrado “Jeitinho”; não tenho orgulho da corrupção (seja ela no setor publico ou privado, porque se existe um deputado corrompido, existe um empresário corrompedor), superfaturamento e falcatruas mil que sempre aconteceram, não importa qual seja o partido que esteja no comando; não tenho orgulho de ainda não oferecermos serviço públicos básicos como saneamento e segurança para 100% das pessoas; não tenho orgulho da ineficiência de nosso sistema fiscal, que onera pesadamente a classe média e não proporciona justiça tributária; não tenho orgulho da violência extremada que atinge muitas de nossas cidades, nem mesmo da péssima infraestrutura portuária que possuímos. A lista é grande…

É bom não perder de vista a evolução historica e conservar essa chama de indignação acessa. Foi ela que nos trouxe até aqui e ela que nos conduzirá ao nosso futuro. Todavia, não podemos nos deixar cegar pelo derrotismo típico brasileiro e não enxergar as coisas boas que existem em nosso país. Devemos sempre nos embravecer pelos “gols contra” que tomamos e “cartões vermelhos” que levamos, mas também nos autovalorizar pelos “gols de placa” que fazemos e pelas “bolas na gaveta” que colocamos.

[Apenas a título de curiosidade, a quem importar: de acordo com a Consultoria Ernst & Young e a Fundação Getúlio Vargas, entre 2010 e 2014, o Brasil deverá arrecadar 16 bilhões com impostos deixados pela FIFA no Brasil (entre valores dos ingressos e eventos relacionados), valor este consideravelmente superior ao que o governo federal financiou (isso quer dizer que, mais dia menos dia, voltará) na reforma dos estádios. Ou seja, a Copa dará lucro ao país. Que coisa, não?]

Aos que apenas falam mal do Brasil e, como diria Augusto dos Anjos, “escarram na boca que lhes beija”, isso me cheira como excessiva auto piedade e, me desculpe, não nos levará a lugar nenhum. Quanto antes pararem com esse desserviço, melhor para todos. Sentir vergonha do Brasil, no fundo, é ser o maior dos sem-vergonhas.

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Amanhã começa a nossa copa. A copa do país que mais a venceu. A copa no país que não inventou o futebol, mas que o incrementou ao passar dos anos e o lustrou com o óleo da magia e do encantamento que apenas mestres da bola como Pelé, Garrincha, Zico, Ronaldo e companhia saberiam oferecer. Que sejamos capazes de olhar não apenas para “os estádios atrasados” e as obras inacabadas (mas que quando forem terminadas, serão de grande utilidade para nós), mas compreender o processo histórico e o desenvolvimento social que foi capaz de trazer este evento até nós. Muitos dizem: “com tantos problemas internos, pra que gastar dinheiro com isso?”. Termino dizendo que “loja nenhuma faz sucesso sem uma boa vitrine”. Estes grandes eventos são espaços nos quais o mundo, ao olhar para nós, pode superar estereótipos e apenas são possíveis de acontecer por aí porque nosso país tem crescido no cenário internacional (por maiores que sejam nossas limitações), conquistando respeito e admiração. Precisamos também, nós brasileiros, superar nosso auto derrotismo, com pensamentos destrutivos e infrutíferos sobre nós mesmos.

Finalizo citando Matheus Pichonelli, colunista da revista “Carta Capital”: “torcer para que tudo desabe, para que a arquibancada se desmanche em farelos, para que o time da Croácia estraçalhe a seleção de Scolari e coloque o brasileiro em seu lugar – a suposta insignificância – não faz de ninguém mais rebelde, mais politizado, mais produtivo ou mais consciente de seus direitos. Pelo contrário, só mostra como podemos ser tão ou mais tolos ou desonestos do que a tolice e a desonestidade combatidas”. Que sejamos campeões dessa copa dentro e fora de campo. Mas, sobretudo, que saibamos observar virtudes, não ficando presos a discursos pessimistas. Essa seria, com toda certeza, uma grande vitória.

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7 thoughts on “Narcisimo às avessas”

  1. Vaya Gabriel que buena critica me enorgullezco de haber conocido de ti en la semana misionera soy Hugo do México me toco convivir contigo casi toda la semana y nunca se imagina uno el pensamiento tan crítico de algunas personas que hacen cambiar y motivar el intelecto de algunos como en este caso a mi, se que sabes falhar espanhol y por eso te platico que aquí en México pintan a Brasil justo como lo que dices en tu artículo todos felices por recibir el mundial cuando en realidad me a tocado ver de frente como es la situación en esos rincones de Brasil vaya hermano que es vergonzoso sólo ver la parte bonita esa que sólo dura algunos días y luego se desvanece, pues es justo lo que pasa en México sólo nos quejamos pero nosotros nos rehusamos a hacer la diferencia que triste te deseó lo mejor en esta experiencia internacional y espero algún día me respondas para saber de ti jajja cuídate y que dios, Marcelino y nuestra buena madre te bendigan hoy y siempre un Marista más que cambia horizontes

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  2. Gabriel, paz e bem! Estou com você,eu não falo e não deixo ninguém falar mal do meu País, afinal é nele que vivo bem ou mal, mas é o meu país. Antes de falar mal, a perguntar é: O que fiz para contribuir e mudar o país? Acredito que: se não fez nada para mudar, aceite e não atrapalhe com falsos discursos….e maldizendo (de si mesmo)… e ….
    Sinta-se abraçado fortemente com a paz e bem! de uma BRASILEIRA, que amo o BRASIL.
    Virginia Torres

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  3. Perfeito, não podemos agir como se brasileiro não fôssemos e não tivessemos nenhuma responsabilidade sobre tudo que aqui acontece. Sou a favor da Copa, positivamente NÃO, mas já que ai está torço para que seja um grande espetáculo, à altura deste grande pais.

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  4. Tenho comigo a tamanha importância de sua ação junto a esse povo que hoje tu faz parte hoje, em meio a tantas turbulências que o mundo faz girar em torno de nosso País no dia de hoje, o complemento de seu trabalho nada mais é que a essência que só nós “brasileiros” temos, o jeito que conquista, a palavra que cativa. Por fim, que sua estadia junto a esse povo seja não só de reflexao e aprendizado, mas sim que tu possa transmitir a mais simples palavra, o gesto que auxilia, o abraço que conforta. Deus te abençoe hoje e sempre. .. até breve ! Abraço

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  5. Muito bem, sou feliz por ser brasileira! O Brasil tem muitas belezas, essa COPA é uma forma de muitos pessoas apreciarem essas belezas….esse povo….e conhecer nosso país que vai muito mais além do que carnaval, matas e até mesmo de futebol!

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  6. Paulista, finalmente um pingo de sensatez no meio de tanta idiotice!
    #vaitercopasim, talvez não devesse nesse momento, mas vai!
    Ontem mesmo antes do jogo ouvi pessoas criticando, torcendo para dar errado, pro BR perder, etc. Não entendo isso… se fosse em outro país torceriam a favor, mas como é no BR, tomara que percam. Oi?
    Não consigo esquecer um vídeo, sucesso absoluto, da brasileira que vive em algum canto das Américas dizendo para boicotarem os jogos? Ha ha ha se fosse num palanque tinham a aplaudido em pé.
    A população não tem idéia do que é competência de cada um, eu não tinha, só agora que em Direito que comecei aprender.
    Falta compreensão, leitura, busca por conhecimento, sair do senso comum e principalmente o tal do “mais amor e menos rancor”!
    Ainda estou na briga interna que o direito me proporcionou, mas tem sido ótimo.
    Beijos

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  7. Paulista, muito interessante ler o que você escreveu sobre o Brasil e sobre a Copa do Mundo no Brasil, principalmente agora, uma semana após a grande final. O Brasil não foi campeão, não chegou a final; ao contrário, levou uma goleada histórica da Alemanha na semi-final. Porém, como o mundo inteiro agora sabe, foi a Copa das Copas! Durante os jogos vi muita gente dizendo que toceria para a Argentina, argumentando que eles sim, jogavam com garra. Sempre dizia a mesma coisa a todos: “Com esse argumento você tem todo direito de torcer pela Argentina, desde que demonstre, enquanto brasileiro, a mesma garra como cidadão, todos os dias…” Parabéns pelo ponto de vista sobre seu país e pela experiência de vida aí na Ásia! Grande abraço!

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