Sri Lanka

Top 20 Fotos – Sri Lanka

Essa semana comemorou-se o Dia Mundial da Fotografia (19 de agosto) e para marcar essa data posto aqui as 20 melhores fotografias dos 6 meses que passei no Sri Lanka.

(Digo “passei” porque agora não estou mais neste país – apesar de continuar postando histórias de lá, haja vista a grandeza das experiências que tive. Estou na Tailândia, prosseguindo com meu projeto de voluntariado e isso será alvo de textos futuros, aguardem!!!)

Não sou nenhum profissional na arte de fotografar e muito menos tenho essa pretensão. Apenas busquei registrar momentos importantes através das lentes de minha câmera  e que foram marcantes no meio ano que permaneci nesta incrível ilha. Se alguma delas ficou “boa”, muito provável não ser resultado de minhas qualidades “fotografísticas” (com o perdão do neologismo), mas sim da emoção nela expressada!

Apresento-lhes fotos que revelam um pouco das minhas experiências e do meu olhar sobre tudo e todos que cruzaram meu caminho. Busquei mostrar um panorama geral de tudo o que vivi. Confesso que foi extremamente difícil separar essas 20 fotografias. A ideia original era fazer um “Top 10”, que logo virou 12, 15 e, com muita relutância para não aumentar, me forcei a parar nos 20. Com muita dor no coração algumas muito boas ou que representaram momentos muito importantes ficaram de fora, mas com certeza apareceram em outras publicações.

Tenho certeza que cada uma delas daria, no mínimo, um ótimo texto. Elas podem não ser excelentes, mas fazem o meu (e espero que os seus) olhos brilharem!

Sugiro ao leitor que as veja com essa trilha sonora:

Na subida do primeiro avião, ao colocar meus pés no Sri Lanka em janeiro e ao chegar nos arredores de Kalpitiya (cidade onde trabalhei) o “random” do meu iPod insistia em me fazer ouvir a mesma música. Assumi, desde então, que essa seria a “trilha sonora” da viagem, já que o destino me forçava a ouvi-la. Boa mensagem e ótima melodia (Se tiverem um tempinho a mais, procurem a letra. Recomendo!)

Choque cultural ao desembarcar – Nunca havia visto face a face uma mulher de burca e, por mais que lembrasse de imagens de revistas e televisão, a sensação de anulação de um ser humano é impactante. Primeira coisa que pensei, ao tirar essa foto: “Pra que ela está escolhendo roupas coloridas?”
O Bétis Melhorado - Melhor ângulo de um jogo de Críqueti
O “Bétis Melhorado” – Melhor ângulo de um jogo de Críqueti na escola cingalesa. Esporte nacional, tive a oportunidade de muito praticá-lo e, também, de assistir os jogos da copa do mundo de críqueti. Com muita alegria, celebrei junto com meus alunos o título da seleção do Sri Lanka! #gogosrilanka (quem disse que não fui campeão da Copa do Mundo em 2014? Pelo menos no críqueti tive o que comemorar rs)
Meus anfitriões - Ao centro: Farancis (Paquistão), à direita: Lal (Sri Lanka)
Meus anfitriões – Ao centro: Farancis (Paquistão), à direita: Lal (Sri Lanka). Cada qual com seu jeito e suas peculiaridades, ambos me receberam muito bem e me fizeram sentir em casa, apesar da distancia do meus país e da minha cultura.
Primeiro por do sol. Tons de laranja inesquecíveis
Primeiro por do sol. Tons de laranja inesquecíveis.
Explorando a ilha e suas riquezas culturais
Explorando a ilha e suas riquezas culturais. Na grande maioria dos lugares históricos, é obrigatório a retirada dos calcados. O problema é que o sol não ajuda muito e, por falta de costume de andar descalço (leia-se no bom curitibanês “Piá de Prédio”), o jeito era sempre caminhar pela sombra pra não queimar a sola do pé. Isso aconteceu no “Dambulla Rock Temple and Golden Buda”, lugar onde foi tirada esta foto. Não se engane. Não estava bebendo água, mas sim molhando os pés pra aliviar a queimação rs.
400 kg de folha por dia
400 kg de folha por dia. Uma parada brusca no meio do passeio que quase me derrubou. Perguntei ao tratador porque havíamos parado e a resposta foi apenas um “necessidades biológicas”.
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Trabalho I – A sala de aula – Aquele velho clichê que “professor também aprende” foi muito verdadeiro no tempo que passei no Sri Lanka. Afinal, eu, um brasileiro, tentava ensinar inglês pra crianças que falavam cingalês e tamil. Na hora do desespero, não podia usar nem o dicionário porque não entendia o que estava escrito. Uma coisa é certa: ninguém mais me vence no “Imagem e Ação”.
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Trabalho II – Presença Significativa – Chamud e Shelon, dois meninos de 8 anos, todos os dias as 15h (religiosamente!) batiam na janela do meu quarto. Nosso combinado era: algumas palavras em inglês por futebol. E foi assim que fomos nos conquistando dia a dia (e agora não sei quem sente mais falta de quem!)
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Trabalho III – Gesto Concreto – Pude, com a ajuda dos alunos, pintar as duas salas de aula e limpar o terreno atrás de casa, onde construímos uma quadra de vôlei. Contudo, nada foi mais “simbólico” do que pintar o mapa mundi na minha sala de aula. Senti essa necessidade quando ouvi de um aluno, durante o período de copa do mundo: “mas o México não fica na Europa?”. Meus dotes artísticos e para trabalhos manuais foram colocados à prova no momento que decidi mostrar aos meninos como se organiza esse nosso planeta. E tudo valeu a pena quando ouvi, desse mesmo menino, após olhar para o desenho, com uma mistura de êxtase e alegria: “Caramba, o mundo é grande mesmo!”
10 anos depois: as marcas de uma tragédia
10 anos depois: as marcas de uma tragédia – Minha visita ao sul da ilha foi um dos momentos mais marcantes. Lá foi o lugar mais destruído pelo Tsunami, em dezembro de 2004. Apenas no Sri Lanka, 50 mil pessoas perderam suas vidas em 3 minutos. Tive a oportunidade de entrevistar diversas pessoas, conhecer suas histórias, suas perdas e sua superação diária desde aquele fatídico 26 de dezembro, histórias estas que, sem sombra de dúvidas, me amadureceram uma década em uma semana.
O muculmano que perdeu todos os homens da família (imagine o que é isso para essa cultura) e, com muita alegria, cuida de todas as mulheres. Me recebeu dizendo que "10 anos atras partiram todos os homens e levaram seus últimos fios de cabelo"
O padeiro muçulmano que perdeu todos os homens da família (tente imaginar o impacto disso para essa cultura) e, com muita alegria, cuida de todas as mulheres (tias, primas, avós e esposas). Me recebeu com um delicioso chá dizendo que “10 anos atrás partiram todos os homens e levaram junto seus últimos fios de cabelo”
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O repórter que perdeu tudo o que tinha, menos sua câmera e sua família, e que fez a maioria das imagens dos corpos das vítimas (para identificação dos familiares) e dos locais destruídos (para auxílio na reconstrução). Ainda moram na mesma casa da qual escaparam da morte pelo telhado. Me receberam com esses sorrisos que podem ver e, ao ir embora, disseram: “Não temos nada para lhe oferecer em agradecimento à sua visita, tudo o que temos é esse mamão”. A melhor “vitamina” que poderia ter tomado, além daquela que bebi na manha seguinte, foi o exemplo dessas pessoas que levarei comigo pra sempre!
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Vivendo, convivendo e aprendendo – Um dos maiores ganhos dessa experiência tem sido a convivência com novas culturas e a possibilidade de me enriquecer enquanto profissional, enquanto homem, enquanto pessoa e, sobretudo, enquanto ser humano. A vida acontece de uma maneira incrivelmente positiva quando nos predispomos a deixar que ela aconteça. Seria impossível (e até leviano de minha parte) tentar fazer uma lista dos aprendizados que tive, estou tendo e ainda terei com toda essa experiência de voluntariado.
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A janela do futuro marcada pelo passado – Ao caminhar pelas ruas de Jaffna (cidade ao norte da ilha que foi o palco principal dos 30 anos de guerra civil entre cingaleses e tamils, e que só acabou 5 anos atrás), pude notar a presença de muitas criança brincando nos restos deixados nos campos de batalha. Pelos olhos delas, contudo, pude olhar pela “janela da alma” e perceber os outros “restos” que uma guerra deixa: medo, rancor, saudade, tristeza, apreensão.
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Aula sobre Brasil – Estive em Jaffna no período do início da Copa do Mundo de futebol e, no dia seguinte à estreia, não poderia ser outro o assunto em sala de aula. Naquele momento ainda acreditava que poderíamos ganhar alguma coisa (nem o mais dos pessimistas poderia imaginar o que aconteceu) e fiz esses meninos torcerem para o Brasil. Coitados!
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Morte: do lado de fora – Placa fixada na entrada do hospital da Cruz Vermelha em Jaffna, avisando a todos os visitantes que naquele prédio é proibida a entrada com armas. Um lembrete que choca pela clareza e obviedade, naquele lugar, necessárias.
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Família tamil – Estava de passagem pela frente da casa deste casal e decidi parar para fotografar as marcas de tiros na parede de sua casa. Qual não foi minha surpresa que por de trás das placas de ferro que tentavam (inutilmente) proteger a residência, aparece este homem me convidando para entrar e conhecer por dentro. Claro que a situação não era diferente e, ao ouvir a história deles, engoli o chá mais amargo da minha vida: “Em uma guerra, ninguém ganha! Tem aqueles que perdem mais e aqueles que perdem menos”.
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Páscoa diferente – A fé do povo Sri Lankes, seja devoto de qualquer uma das religiões, é algo que qualquer visitante se sente tocado. É um lugar que transborda espiritualidade. Esta senhora estava profundamente emocionada na procissão da sexta feira santa e me relatou que há um ano pediu um milagre e estava ali para agradecer a graça alcançada: conseguiu comprar as telhas pra sua casa e quando chegasse a estacão da chuva sua família estaria mais segura.
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Não consegui encontrar um nome adequado para essa foto. Durante as celebrações de páscoa na comunidade de Kalpitiya, fui surpreendido por esse gesto de um dos meus alunos. Ao colocar a mão sobre a minha, enquanto eu rezava o rosário, Chamud com sua simplicidade infantil demonstrou a pureza e a profundidade de um gesto grandioso. Como não querer colocar dentro da mala e levar comigo pro Brasil?
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Na estrada, a medida em que você ganha distancia do ponto de partida, é mais fácil entender de onde viemos e quem somos.

 

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