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Qualquer fagulha vira fogueira, em tempo de eleição

Em épocas de campanha eleitoral no Brasil, qualquer fagulha vira fogueira; qualquer gripe, resfriado. Não faço esta comparação minimizando a importância de um discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas [feito por Dilma Rousseff, presidente do Brasil e candidata à reeleição, na semana passada]. Contudo, o uso eleitoreiro irresponsável pode minimizar as reais intenções, mascarar a posição por detrás das palavras e não evidenciar o real motivo dos argumentos utilizados.

Que fique claro que não estou aqui defendendo o atual governo, mas minha análise se faz a partir de algumas avaliações ouvidas nos corredores de Genebra. Por aqui todo mundo sabe (por mais que ninguém expresse) que por trás do Estado Islâmico estão países como Qatar, Turquia, Arábia Saudita e, pasmem vocês, Israel. E este ataque estadunidense “cheira” como uma tentativa de manipular a mídia internacional e a opinião pública, tirando um pouco do foco que estava no conflito em Gaza. Não concordo com a postura do Movimento Islâmico, mas novamente passar por cima da legalidade das Nações Unidas é dar um “tapa na cara” da história.

O precedente aberto com a invasão do Iraque em 2003, feita sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU, deslegitima todo um sistema criado para ser a primeira tentativa de solução dos problemas que já geraram milhões de mortes pelo mundo. No fundo, o que nossa presidente fez foi “aproveitar a deixa” pra falar da entrada de nosso país no Conselho de Segurança e engrossar o caldo a respeito das críticas sobre a ausência do Brasil, e de outros países, bem como sua ineficiência (muito decorrente de atitudes como essas norte-americanas).

Se pretendemos ser um país “grande”, com influência não apenas regional, mas global, urgente é que comecemos a nos posicionar acerca dos assuntos importantes na seara internacional. A atitude prepotente de um país em atacar outro sem respeitar a ONU e os foros dentro dela existentes para tentativas de soluções dos conflitos é, em minha opinião, passível de críticas, por mais que os motivos alegados para tal sejam plausíveis.

Uma coisa são os absurdos e as transgressões dos tão frágeis direitos humanos na região onde atua essa organização, que devem sim ser combatidos. Outra é a forma de fazer esse combate que, para aqueles (como eu) que acreditam e buscam um mundo mais justo, deve necessariamente passar pelo diálogo antes de ir para a força. Como diria Gandhi, “olho por olho e, ao final, todos estaremos cegos”.

Texto opinativo publicado no Jornal de Londrina de hoje, 03 de outubro de 2014, disponível no link:

http://www.jornaldelondrina.com.br/colunas/ponto-de-vista/conteudo.phtml?tl=1&id=1503269&tit=Qualquer-fagulha-vira-fogueira-em-tempo-de-eleicao

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2 thoughts on “Qualquer fagulha vira fogueira, em tempo de eleição”

  1. Além de todos os países citados, incluindo ISRAEL, podemos dizer que os EUA, estão ao mesmo tempo que bombardeiam financiando o estado islâmico… No fundo, estão realmente interessados em derrubar Al Assad, um dos últimos aliados da Russia naquela região…

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