Reflexões Pessoais

O que aprendi – 2014

Na tentativa de ser poeta de mim mesmo, escrevi neste blog alguns dos melhores ensinamentos que guardei na prateleira da minha vida, algumas lições que 2014 me deu a partir dos olhares de pessoas que cruzei e das vidas que partilhei. Essa viagem foi uma estrada em que só se vai sem nunca chegar. E o que seria a vida senão isso também? O que é a vida senão uma junção de muitos acasos?

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Pude ser, sem medo de anacronismos, espectador e personagem da minha própria mudança que ainda não consigo mensurar quão grande e profunda foi, mas que com certeza me trouxe até este momento que lhes escrevo com muitas alegrias e tristezas, me transformando em alguém melhor do que eu era.

Gostaria, sem devaneios, de dividir aqui as 15 lições que aprendi nos milhares de quilômetros pelos quais passei neste ano de trabalho voluntário pelo mundo. Com certeza muito ainda poderá ser dito e refletido, mesmo que internamente, sobre os aprendizados de 2014. Tenho, sobretudo, apenas o objetivo de aliviar um pouco meu coração e organizar minhas “bagunças”, ainda que não esgote (e creio que nunca esgotarei) o por mim vivido.

O que aprendi…

1 – Aprendi que estar aberto a outras culturas não significa negar a minha e deixar de ser quem sou. É exatamente o oposto. É na diferença que se identifica e se descobre mais quem se é, de onde veio e, se tiver sorte, pra onde quer caminhar.

2 – Aprendi que perder o significado da palavra “rotina” pode ser angustiante, mas é, ao mesmo tempo, renovador, pois transforma todo amanhecer em uma página em branco, com novos costumes, línguas, pessoas e lugares para serem descobertos.

3 – Aprendi que existem milhares de maneiras de fazer a mesma coisa e descobri, dentro de mim, aquilo em que verdadeiramente acredito. Que “normal” é apenas aquilo que é socialmente aceito e difere muito do que é “comum”, e que ambos mudam totalmente em poucas horas ou metros.

DSC050884 – Aprendi que existe uma grande diferença entre passar fome e passar vontade e isso só se aprende quando se convive com aqueles que a vida não lhes dá o direito de sentir qualquer vontade.

5 – Aprendi a compreender a distinção entre falar e se expressar e perceber o quanto se fala sem se expressar e, sobretudo, o quanto se expressa sem qualquer palavra. Aprendi que línguas e códigos não comportam sentimentos e que estes as transcendem.

6 – Aprendi que sempre faltarão palavras para descrever o que vivi. Que vou ficar com “água na boca” ao contar minhas histórias, mas que nunca vou me sentir completamente compreendido – apenas eu vivi o que vivi.

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7 – Aprendi que o silêncio é, muitas vezes, a única saída e que ele pode ser ensurdecedor quando apenas o que cala é o exterior. Aprendi que é necessário, por mais difícil que seja, aquietar o barulho interno, até porque, desde o momento que se decide sair e caminhar, sua vida se converte num vai e vem de emoções quase que instantâneas e que é ali dentro que Deus fala.

8 – Aprendi que o mundo é um lugar gigante e pequeno ao mesmo tempo. Que casa é onde você está e que não existe sensação melhor do que se sentir nela. Aprendi que em cada lugar que vivi deixei um pouco de mim e levei um pouco daqueles com os quais compartilhei meus momentos e que isso os tornaram especiais em minha vida.

9 – Aprendi que, depois de tantas idas e vindas, todas as pessoas passam, sem, contudo, deixarem de ser importantes. Aprendi a buscar sempre balancear laços profundos com desapego, nostalgia com pragmatismo. Aprendi que, ao final, é você com você mesmo.

10 – Aprendi que tarefas simples podem se tornar extremamente complexas: encontrar a palavra adequada, desejar bom dia, contar uma história, achar o ponto do ônibus. Tudo tem um grande potencial de se tornar um momento desesperador. E é ai que se aprende a ser mais paciente do que jamais imaginou que seria e que pedir ajuda não é apenas inevitável, mas sim seguro.

11 – Aprendi que, após renunciar a tudo, me preenchi de outros “tudos” que serão renunciados novamente. Aprendi que é maravilhoso descobrir o mundo e deixá-lo acontecer dentro de mim. O mundo é tão grande, como me furtar de descobrí-lo?

DSC0754112 – Aprendi que o mundo não para pra você curar suas feridas e que isso pode ser cruel. Isso fez com que selecionasse as que valiam a pena serem sentidas. Aprendi que para sobreviver, basta abrir os olhos, mas para viver, devo acordar; que para sobreviver, é bom ser prático, mas para viver, é melhor ser verdadeiro. Aprendi que posso ser maior que minhas confusões.

13 – Aprendi a tentar sempre ser feliz com pouco (ou nada). Que a partir do momento que minha vida cabe dentro de uma mochila, não há nada que possa carregar que me faça feliz a não ser eu mesmo. Aprendi que tudo é substituível, menos sentimentos.

14 – Aprendi que tempo e espaço são unidades de medidas não absolutas e acabei por relativizá-las a um grau máximo. Aprendi a tentar medir a vida em acontecimentos e sentimentos porque isso é o que, de fato, importa.

15 – Aprendi a diferença entre ser e estar e que, para alcançar a felicidade, tenho que sempre me esforçar para não só “ser”, mas sim “estar”. Aprendi que de tanto a gente olhar para o “copo meio-cheio ou meio-vazio”, nos esquecemos que o mais importante mesmo é bebê-lo, perdoando-se e vivendo a realidade, sem remoer o passado ou temer o futuro.

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O reencontro comigo mesmo me aguarda! Que tenha a sabedoria de conciliar o que fui e o que sou. Até porque a beleza da vida está justamente na fidelidade dos ciclos, que iniciam e terminam sem um ponto de partida ou chegada.

Que o tantinho menor da falta que eu era me engrandeça pela presença que serei.

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9 thoughts on “O que aprendi – 2014”

  1. Meu comentário não poderia deixar de passar pela música… música boa claro… essa você conhece… ouviu muito no carro, ouviu lá em casa… e vai ouvir de novo naquele DVD surrado da Maria Rita… mas quem compôs essa joia foi Milton Nascimento… aquele menino “negrinho”, o “bituca”, adotado pelo S. Josino e pela Dona Lilia, lá das Minas Gerais que amamos, e igual a muito “meninos” que você conheceu nessa sua jornada… to te esperando com um grande abraço… !!!! Chega logo !!!

    Mande notícias do mundo de lá
    Diz quem fica
    Me dê um abraço, venha me apertar
    Tô chegando
    Coisa que gosto é poder partir
    Sem ter planos
    Melhor ainda é poder voltar
    Quando quero

    Todos os dias é um vai-e-vem
    A vida se repete na estação
    Tem gente que chega pra ficar
    Tem gente que vai pra nunca mais
    Tem gente que vem e quer voltar
    Tem gente que vai e quer ficar
    Tem gente que veio só olhar
    Tem gente a sorrir e a chorar
    E assim, chegar e partir

    São só dois lados
    Da mesma viagem
    O trem que chega
    É o mesmo trem da partida
    A hora do encontro
    É também de despedida
    A plataforma dessa estação
    É a vida desse meu lugar
    É a vida desse meu lugar
    É a vida…

    ENCONTROS E DESPEDIDAS – Milton “bituca” Nascimento.

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  2. Próxima lição: Aprender a voltar… dizem os missionários que é tão importante quanto partir!!! Voltar pra um lugar que não existe mais e confirmar tudo isto que vc experimentou e… partir novamente!!! Obrigado por suas partilhas.
    Grande abraço. Geraldo.

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  3. Como sempre me emociono com suas palavras… Tenho certeza que todo apredizado, vivências e histórias ficarão para sempre em sua mente, em seu coração… Que cada uma das pessoas que passou pela sua jornada teve um sentido especial e vc jamais se esquecerá delas, cada uma em sua especifidade, em sua particularidade, com seu jeito de ser… Tem alguém aki que pergunta todos os dias: “Mãe, falta quantos dias pro Didi descer do avião?” Está em contagem regressiva… Amamos vc!!! Tio Cezar, Tia Lee, Ana Beatriz e Didi

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  4. Ganriel, você não só aprendeu,você se construiu, ao compartilhar vidas você doou o mais bonito que ha em você AMOR, isso só doa quem tem.
    Parabéns pela missão…
    Dyane

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  5. Paulista, eu não te conhecia pessoalmente até essa tarde, mas por tudo o que você escreveu e nos contou por meio do seu blog e das suas postagens, eu fiquei encantada com todas as experiências que você vivenciou e também por todas as reflexões e lições que você tirou delas. Obrigada por transmitir esse conhecimento tão intenso! Beijos, Mayara

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